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Economia e Finanças

11 de Setembro de 2019 as 16:09:24



CORREIOS - Trabalhadores decretam Greve Nacional



 
Os trabalhadores dos Correios decretaram greve geral, por tempo indeterminado, a partir da noite da 3ª feira, 10.09.
 
Embora ainda esteja avaliando o real impacto da paralisação, a empresa afirma que os serviços foram parcialmente afetados.
 
Já a Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect) garante que o movimento é nacional.
 
“Em todo o país, a categoria se mostrou consciente da gravidade da situação e decretou greve por tempo indeterminado”,
 
assegura a Findect, em nota. Segundo a entidade, a paralisação foi a forma que os funcionários da estatal encontraram para se opor à proposta do governo federal de privatizar os Correios.
 
Segundo os sindicalistas, a greve teria alcançado cerca de 65% dos trabalhadores em todo o País, diante do que a ECT entrou com pedido de dissídio coletivo no TST, em 11.09, quase ao mesmo tempo em que a própria direção do Tribunal ter anunciado que iria encaminhar o julgamento da greve no caso da empresa não se manifestar.
 
Os trabalhadores também tentam pressionar a direção da empresa a negociar a manutenção de direitos trabalhistas e dos atuais salários no futuro Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), que está por ser assinado.
 
Em agosto, o governo federal incluiu os Correios no Plano Nacional de Desestatização (PND) e inaugurou a fase de estudos para privatizar, total ou parcialmente, a empresa e outras estatais. 
 
Além do receio da privatização, os representantes dos trabalhadores da categoria temem a redução salarial e a perda de benefícios.
 
“Querem reduzir radicalmente os salários e benefícios para diminuir custos e privatizar os Correios ... Para manter nosso Acordo Coletivo, repor as perdas aos salários e manter os empregos vamos ter que lutar.”
 
afirma a Findect
 
Também em nota, a direção dos Correios afirma já ter apresentado aos trabalhadores os números que revelam a “real situação econômica da estatal”. De acordo com a direção da empresa, os prejuízos operacionais acumulados chegam a R$ 3 bilhões.
 
“Os Correios participaram de dez encontros na mesa de negociação com os representantes dos trabalhadores, mas as federações expuseram propostas que superam até mesmo o faturamento anual da empresa, algo insustentável para o projeto de reequilíbrio financeiro em curso pela empresa”,
 
assegura a direção dos Correios.
 
“No momento, o principal compromisso da direção dos Correios é conferir à sociedade uma empresa sustentável. Por isso, a estatal conta com os empregados no trabalho de recuperação financeira da empresa e no atendimento à população”,
 
acrescentam os representantes legais da estatal.
 
Acordo coletivo
 
O processo de negociação do Acordo Coletivo 2019/2020 está no Tribunal Superior do Trabalho. Na semana passado, após várias tentativas de compatibilizar os interesses dos empregados e empregadores, o vice-presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Renato de Lacerda Paiva, decretou a extinção do procedimento de mediação e conciliação pré-processual entre a empresa e as entidades que representam os empregados.
 
Segundo a assessoria do tribunal, a direção dos Correios foi a única a não aceitar a proposta de prorrogar o acordo coletivo de trabalho para que fosse dado prosseguimento à negociação de novo instrumento coletivo. Ainda segundo a assessoria do tribunal, “a continuidade da mediação evitaria a greve da categoria, marcada para o dia 10/9”.
 
Em assembleia realizada na noite da 3ª feira, 10.09, em São Paulo, o vice-presidente da Findect, Elias Cesário de Brito Júnior, afirmou que a categoria foi “empurrada” para a greve.
 
“Não queríamos entrar em greve. Queríamos continuar trabalhando como sempre fizemos, servindo à população e defendendo nossos empregos. Há mais de três meses que estamos negociando, colocando a pauta de reivindicações [tirada] em nível nacional. Teve que o TST intervir”,
 
discursou Júnior, lembrando que, além de tentar impedir a privatização dos Correios, a categoria reivindica a prorrogação do acordo coletivo que venceu em 31 de julho; a reposição das perdas inflacionárias dos últimos anos e a manutenção do vale-alimentação e do plano de saúde.


Fonte: Agência Brasil e Jornal Causa Operária. Copidescagem Redação JF





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