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Economia e Finanças

14 de Junho de 2019 as 16:06:01



AGRONEGÓCIOS & ALIMENTOS Impactos da Febre Suína Africana Relatório Setorial



AGRONEGÓCIOS & ALIMENTOS  -  Relatório Setorial
12 de junho, 2019
 
Nossas considerações sobre FSA:
Uma oportunidade a ser considerado com um toque de conservadorismo
 
Em maio, durante toda a temporada de resultados do setor de Agronegócios e Alimentos, um dos temas mais discutidos foi a Febre Suína Africana (FSA) e seus impactos no setor como um todo. 
 
Como a FSA na China traz uma sequência de rupturas em fundamentos dos mercados globais de proteína, aproveitamos a oportunidade para estudar o assunto um pouco mais e revisitar nossas estimativas para as empresas do Agronegócio e Alimentos sob nossa cobertura. 
 
Em nossa opinião, o setor de proteína animal no Brasil se beneficiará de um cenário de demanda mais forte, conforme descrito abaixo. Além disso, esperamos aumento nos preços, aumento das margens e empresas com maior geração de caixa e menor alavancagem nos próximos dois anos. Quanto à nossa cobertura do agronegócio, apesar de vermos as empresas bem preparadas, elas devem enfrentar um ambiente mais volátil.
 
Considerando os números do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China (MARA em inglês), observamos uma queda gradual nos estoques de suínos e matrizes na China (-20% a/a em abril) desde o início do surto. 
 
Assim, a fim de tentar dar aos investidores alguma cor sobre o possível impacto na produção da China, estamos espelhando a mesma redução de 20% na produção anual de carne suína na China em 2019, discutindo abaixo os possíveis resultados a partir disso.
 
No médio prazo, estamos simulando uma queda de 30% (sobre os níveis históricos) na produção de suínos chineses com base na redução sequencial de estoque de matrizes, o que provavelmente afetará negativamente a recomposição do rebanho à frente.
 
Em maio, de acordo com os últimos dados do MIDIC Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o volume de exportações brasileiras de carne suína revelou um aumento significativo de 41% a/a, enquanto os preços em dólar cresceram 11%.a/a.
 
No mesmo período, a China representou 26% da receita total das exportações brasileiras de carne suína. Seguindo a mesma tendência de alta, os preços da carne suína no mercado doméstico subiram e mostraram um aumento de 19% a/a de janeiro a maio.
 
Vale ressaltar que, apesar de considerarmos esse cenário como positivo, uma vez que a FSA beneficiará os maiores exportadores de carne do mundo no curto e médio prazo, bem como mudará a dinâmica dos preços dos grãos em todo o mundo, é difícil quantificar os benefícios. 
 
Em primeiro lugar, porque não há precedentes históricos no setor; em segundo lugar, acreditamos que a China tende a fazer todos os esforços para aumentar a produção das outras proteínas, especialmente as aves, compensando parcialmente esse movimento.
 
Portanto, adotamos uma abordagem conservadora em nossas estimativas para o setor e continuaremos a seguir os números chineses de perto para refletir melhor os impactos em nossos modelos e preços-alvo.
 
FSA e seus desdobramentos
 
Concordamos totalmente que a Febre Suína Africana (FSA) na China traz um cenário disruptivo para a indústria global de proteínas em face de sua extensão, na qual detalhamos mais adiante.
 
Em 2018, a China foi responsável por aproximadamente 46% do consumo mundial de carne suína, correspondendo a ~ 56 milhões de toneladas, com um dos maiores consumos per capita do mundo, de 30,6 kg/pessoa, segundo dados da OCDE-FAO. 
 
Ao mesmo tempo, a produção de carne suína chinesa foi de ~ 54 milhões de toneladas. Assim, podemos considerar que pelo menos 2 milhões de toneladas devem ser importados do mercado global de comércio que totalizou 8 milhões de toneladas em 2018.
 
O surto da Febre Suína Africana (FSA) apareceu pela primeira vez na China em agosto do ano passado [2018]NR. Desde então, casos do vírus também foram relatados no Vietnã, Laos, Camboja, Tailândia e outros países do Sudeste Asiático.
 
Como resultado do surto, estamos estimando uma redução em torno de 20% a 30% na produção de carne suína chinesa de 2019 a 2021 em relação aos dados históricos.
 
No entanto, acreditamos que nossas estimativas podem ser conservadoras, uma vez que o governo chinês provavelmente subestimará o número real de epidemia, em nossa opinião.
 
Considerando os números do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China (MARA em inglês), observamos uma queda gradual nos estoques de suínos e matrizes na China (-20% a/a em abril) desde o início do surto.
 
Assim, a fim de tentar dar aos investidores alguma cor sobre o possível impacto na produção da China, estamos espelhando a mesma redução de 20% na produção anual de carne suína na China em 2019, discutindo abaixo os possíveis resultados a partir disso.
 
No médio prazo, estamos simulando uma queda de 30% (sobre os níveis históricos) na produção de suínos chineses com base na redução sequencial de estoque de matrizes, o que provavelmente afetará negativamente a recomposição do rebanho à frente. (veja o gráfico no relatório anexo)
 
Portanto, a redução de 20% na produção de carne suína chinesa significa uma queda significativa de 12 milhões de toneladas na oferta mundial de carne suína (-9% em relação a 2018) e um aumento de 51% no comércio global em 2019.
 
Adicionalmente, notamos a dinâmica dos preços da porco na China que aumentaram acentuadamente nos últimos meses (+ 9% a/a no acumulado do ano), refletindo a redução da oferta.
 
Embora a Europa, os EUA e o Brasil figurem entre os principais exportadores de carne suína do mundo, que se beneficiarão dessa nova dinâmica de mercado, vemos um aumento de capacidade limitado desses importantes players para suportar a lacuna da China no curto prazo. Portanto, também assumimos um incremento substancial nas importações chinesas das outras proteínas: carne de frango e carne bovina. 
 
Além disso, impulsionado pela maior demanda, os preços internacionais devem seguir o mesmo caminho ascendente. Nesse contexto, acreditamos que indústria de aves seja a mais beneficiada à frente, uma vez que possui vantagem competitiva em termos de preço e menor ciclo de produção, o que é mais adaptável a eventual aumento da demanda. Enquanto os preços de frango representam ~ 0,56x do preço da carne suína, a carne bovina está em 1,86x, mais cara.
 
Como a FSA afeta o mercado brasileiro de proteína animal?
 
Em primeiro lugar, esperamos uma reação positiva nos preços entre todas as proteínas - o que já pode ser visto - seguido por maiores volumes exportados, especialmente a partir do 2S19 em diante.
 
Em maio, de acordo com os últimos dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o volume exportado de carne suína brasileira apresentou aumento expressivo de 41% a/a, enquanto os preços em dólar cresceram 11%.a/a.
 
No mesmo período, a China representou 26% da receita total das exportações brasileiras de carne suína. Seguindo a mesma tendência de alta, os preços da carne suína no mercado doméstico subiram e mostraram um crescimento de 19% a/a de janeiro a maio.
 
Atualmente, a China é um dos maiores importadores da carne brasileira. No acumulado do ano até maio, de acordo com o MDIC, o país asiático foi o destino final de 18% das exportações brasileiras de frango e 27% das exportações de carne bovina.
 
Assim, seguindo a trajetória positiva observada na carne suína e levando em consideração a contribuição chinesa, os volumes exportados de carne bovina e de aves brasileiras também apresentaram desempenho robusto, aumentando respectivamente 34% e 10% a/a em volume em maio.
 
Olhando para o futuro, os preços no mercado interno devem manter sua trajetória ascendente frente ao aumento das exportações no Brasil, o que também impulsionará as margens das empresas do setor. É importante mencionar que as empresas podem se beneficiar primeiro dos preços mais altos (nos mercados doméstico e internacional) do que dos volumes, uma vez que o último ainda depende da habilitação de novas plantas para exportar para a China.
 
Como a China tem mostrado margens atraentes no mercado internacional, a utilização de capacidade das plantas brasileiras autorizadas para exportar para a região está próxima do limite. Portanto, considerando a perspectiva da FSA que impulsionará a demanda chinesa por carne, aumentos adicionais nos volumes brasileiros exportados são altamente dependentes de novas licenças da China. 
 
Nesse contexto, até a segunda quinzena de maio, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, confirmou a apresentação de uma lista com 30 usinas para Pequim. Embora a China tenha dado um sinal que permita pelo menos 20, não ficou claro quando isso aconteceria.
 
Considerando todo o contexto da FSA e que o armazenamento de suínos já abatidos deverá reduzir gradualmente na China, esperamos incrementos adicionais na demanda de proteína chinesa no 2S19 levando o governo chinês a autorizar novas usinas no curto prazo. 
 
No entanto, na semana passada, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) notificou a indústria de carne bovina a respeito da suspensão das exportações brasileiras de carne bovina para a China após detectar um caso de doença da vaca louca no Mato Grosso. 
 
Embora acreditemos que a decisão seja temporária, até que a situação seja esclarecida, a China provavelmente atrasará novas permissões para as plantas brasileiras.
 
Agronegócio: um ambiente mais volátil
 
Em relação ao agronegócio, a FSA também impacta a dinâmica dos preços dos grãos em todo o mundo. Observamos uma pressão baixista sobre o preço decorrente da menor demanda chinesa por grãos, devido à redução na produção de carne suína, embora em menor escala, dados os possíveis esforços do governo para induzir outras produções de proteína animal, especialmente de aves. Além disso, um clima favorável no Brasil pode sustentar a oferta de grãos sem maiores impactos nos volumes.
 
Por outro lado, nos EUA, a chuvas acima do esperado juntamente com a iniciativa de Trump para ajudar os agricultores, diante da guerra comercial entre EUA e China, devem induzir a redução da produção de grãos dos EUA na safra 2019/2020, elevando os preços dos grãos. 
 
Como resultado, os preços do milho na Bolsa de Chicago aumentaram 6% m/m em maio. No Brasil, a guerra comercial (EUA x China) e a valorização do dólar incentivam as exportações dos grãos, que também exercem uma pressão adicional de alta nos preços. Assim, considerando ambos, o cenário de alta e baixa, vemos um ambiente mais volátil para as empresas do agronegócio no curto prazo. 
 
Contabilizando os benefícios
 
Percebemos a indústria bastante cautelosa em relação ao aumento de capacidade por conta da FSA, dadas as incertezas em torno do cenário à frente. Em nossa opinião, a FSA na China e suas consequências acima mencionadas não são suficientes para sustentar grandes projetos para aumentar a capacidade de produção no curto prazo.
 
Como resultado, vemos empresas na indústria de proteínas usando capacidade ociosa em um primeiro momento, o que provavelmente dilui custos. Além disso, assumimos preços mais altos nos mercados internacional e doméstico, seguidos pelo aumento nos volumes exportados.
 
Em suma, esperamos melhorias nas margem e empresas com geração de caixa mais forte desalavancando a partir do 2S19 em diante.
 
Sob nossa cobertura, mantemos nossa recomendação em Outperform para JBS, uma vez que vemos a empresa como a maior beneficiária do cenário positivo de proteína em todo o mundo. A empresa produz carne bovina, suína e suína em todo o mundo (Brasil, EUA, Austrália, Canadá e Europa) e alcançou uma diversificação geográfica e proteica tão positiva que a levou a uma posição favorável no contexto. Portanto, estimamos um crescimento de 12% a/a no EBITDA 19E, que pode chegar a R$ 16,6 bilhões, e uma dívida líquida/EBITDA 19E em 2,6x vs. 3,2x no final de 2018.
 
Também mantemos a recomendação de Outperform para Marfrig. Apesar de seu enfoque singular na carne bovina, vemos a empresa também sendo beneficiada pela epidemia chinesa, embora em menor grau em comparação com a JBS.
 
Consideramos a Marfrig bem posicionada para capturar valor das oportunidades por meio de sua localização geográfica nos maiores produtores e exportadores de carne bovina (Brasil e EUA). Nesse sentido, estimamos um EBITDA 19E em R$ 3,8 bilhões e uma alavancagem próxima de 2,5x vs 3,1x Dec 18.
 
Em relação às empresas do agronegócio, a SLC Agrícola pode ter um impacto negativo nos preços médios se observarmos uma tendência de queda nos preços dos grãos, como resultado do aumento nos estoques, devido à redução no consumo de ração animal na China. Soja e milho juntos representaram 46% da receita bruta em 2018. Portanto, devido à falta de visibilidade dos preços das commodities acima mencionada, mantemos nossa recomendação de Market Perform sobre o nome, já que a empresa está altamente exposta aos preços de commodities e variação cambial.
 
A BrasilAgro, por sua vez, deve sofrer um impacto menor, uma vez que a exposição da empresa nas linhas de Agronegócios representou 22,5% da receita líquida nos 9M19. Em nossa opinião, o portfólio da empresa pode mitigar o impacto adverso nos preços dos grãos, possivelmente provenientes dos efeitos da FSA. 
 
A BrasilAgro possui outros dois negócios mais rentáveis e representativos, como a cana-de-açúcar (35,3% da RL nos 9M19) e a Venda de Fazendas (38,6% da RL nos 9M19). Dessa forma, reiteramos nossa recomendação de Outperform à empresa à luz de seus fundamentos.
 
Quanto à Ourofino, mantemos a rating de Outperform. Além de seus fundamentos sólidos, as perspectivas permanecem positivas para a empresa no contexto da FSA. O segmento de Animais de Produção - o mais representativo, com 78% da receita líquida total em 2018 - deverá ser impactado positivamente, em nossa visão, já que a demanda pelo portfólio da companhia deve ser impulsionada pelo aumento da produção de carne brasileira para atender a demanda chinesa para proteína animal.
 
 
Confira no anexo a íntegra do texto desse relatório, de 12.06.2019, com todos os gráficos e tabelas, elaborado por LUCIANA CARVALHO, analista senior,  e CATERINE KISELAR, analista, ambas integrantes do BB Investimentos

Clique aqui para acessar o aquivo PDF

Fonte: LUCIANA CARVALHO, analista senior, e CATERINE KISELAR, analista, integrantes do BB Investimentos

 
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