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Economia e Finanças

07 de Outubro de 2013 as 15:10:46



NOVO ESCÂNDALO NO MERCADO FINANCEIRO MUNDIAL - Autoridades suiças e do Reino Unido investigam manipulação da taxa cambial por grandes bancos



Autoridades monetárias européias afirmar que muitos bancos poderiam estar envolvidos
 
O jornal norteamericano The Wall Street Journal informou que, em 04 de outubro, 6ª feira última, as autoridades monetárias da Suíça abriram processo de investigação de várias instituições financeiras suíças por suspeita de manipulação de taxas de câmbio no mercado mundial. Nessas investigações, as autoridades suíças já estariam atuando em conjunto com as autoridades do Reino Unido.
 
Em um comunicado bastante sintético, a autoridade responsável pelas investigações na Suíça, FINNA, não aponta as organizações financeiras potencialmente envolvidas nesse novo escândalo:
 
“FINMA está investigando uma possível manipulação das taxas de câmbio de moeda -  FINMA está neste momento realizando investigações em várias instituições financeiras suíças em relação a uma possível manipulação do câmbio nos mercados. FINMA está coordenando de perto com autoridades de outros países como vários bancos ao redor do mundo estão possivelmente implicados.”
 
O que as autoridades suspeitam é que instituições financeiras têm operado no mercado cambial sem a autorização de clientes, por meio da negociação de moedas com embolso do rendimento pela instituição financeira envolvida; essa a principal irregularidade.
 
A outra suspeita  de irregularidade é que, às 16h, no horário de Londres, essas instituições fazem um recálculo, um ajuste nas taxas que praticam. A suspeita é que elas negociam câmbio um pouco antes desse ajuste das 16h, sem autorização dos clientes, claro que conhecendo a taxa que irão praticar depois das 16h e embolsando o lucro logo na sequência do ajuste.
 
Essa investigação poderá surtir desdobramentos sobre o mercado dos EUA e sobre o mercado global, pois há uma natural concentração de operações cambiais envolvendo o dólar norteamericano.
 
Segundo o BIS Banco de Compensações Internacionais, as principais negociações cambiais, em todo o mundo, envolvem as combinaçções de moedas Dólar/Euro, com 24,1% do mercado mundial, e Dólar/Ien, com 18,1% desse mercado.
 
No passado recente, muitas instituições financeiras internacionais estiveram sob investigação por suspeita de manipularem, desde 2008, a LIBOR, a conhecida taxa de juros do mercado interbancário, operada no mercado de Londres e de aplicação no mercado financeiro mundial.
 
O banco UBS e a corretora ICAP são alguns dos nomes de instituições financeiras envolvidas no processo de manipulação dos juros LIBOR. Mas outros bancos estão envolvidos: US$ 2,7 bilhões teria sido, até o momento, o valor total pago por quatro instituições financeiras envolvidas no escândalo de manipulação da LIBOR.
 
 
OPINIÃO DA REDAÇÃO
 
O mito da mão invisível a reger mercados
 
Como se não bastassem as manipulações criminosas que levaram à espetacular crise financeira mundial, a partir de 2007-2008, a descoberta da manipulação do câmbio, aqui relatada, traz à discussão a insustentabilidade da tese monetarista defendida pelos economistas ligados aos bancos e aos seus interesses: a de que há um excessivo intervencionisto estatal no controle do câmbio.
 
É mito a propalada capacidade de autoregulação do mercado de cambio. Cotações cambiais são definidas em acordo  pelas instituições financeiras gigantes do mercado mundial cartelizado.
 
Oscilações cambiais são induzidas por meio da perseguição de rentabilidade nas negociações monetárias pelos bancos.  
 
Nesse quadro, a interferência do Estado é necessária para garantir a estabilidade das economias nacionais. O controle de bandas cambiais, impostos crescentes sobre operações cambiais especulativas e vendas de moedas no mercado futuro, como no Brasil é atualmente realizado, são necessárias e imprescindíveis para conter a ação especulativa irreponsável dos grandes bancos.
 
A quebra da indústria brasileira, que hoje assistimos, foi o custo pago pela crença no mito da mão invisível e pela prática, no Brasil, de uma política câmbial tacanha, ao longo dos anos 90, até 2002. O Banco Central, sob o comando de Gustavo Franco promoveu a grande liberalização e a abertura do mercado cambial brasileiro ao livre jogo da globalização. A tese em curso na ocasião era a seguinte:
 
"Fala(-se) de participação na globalização como se pudesse ser algo a escolher A globalização não é uma escolha. É uma realidade (...) E a verdade fundamental da globalização é a seguinte: ninguém está no comando (...) Todos tendemos a acreditar que haja algum encarregado e responsável.  Mas o mercado hoje é um Rebanho Eletrônico anônimo de corretores de ações, títulos e moedas e investidores multinacionais, interligados por telas e redes." FRIEDMAN, Thomas L. The Lexus and de oliver tree. p.112-113, NY: 1999. apud JOHNSON, Chalmers. As aflições do império. p.314. Record. Rio de Janeiro: 2007.
 
A crise de 2007-2008, cujos desdobramentos estendem-se até os dias atuais, encarregou-se de colocar sob suspeita a veracidade e aplicação do mito de que os governos devem deixar de atuar no câmbio. Os crimes contra a economia e a sociedade evidenciaram que a "mão" não é invisível: tem nome, sobrenome, CNPJ e endereço fixo e conhecido.
 
O câmbio é algo muito importante para que se deixe governado pela irreponsabilidade de homens e empresas que manipulam o mercado financeiro, sob o risco de quebrar setores importantes da economia, empobrecer países e gerar desemprego.³
 
 
 
fontes: 


Fonte: FINMA; e The Wall Stret Journal apud Inside Counsil





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