Ceará decreta situação de emergência por tarifaço e amplia mitigação
Estados Unidos é o destino de 44% das exportações cearenses
Guilherme Jeronymo
5ª feira 04.09.2025
O Governo do Estado do Ceará publicou Decreto 36.828/2025, nesta 5ª feira, 04.09, ampliando as medidas de mitigação ao aumento de tarifas contra importações brasileiras iniciado em agosto pelos EUA.
Segundo o documento, “reconhece-se, para todos os fins legais, a situação de emergência decorrente do aumento tarifário”.
A medida, assinada pelo governador, Elmano de Freitas da Costa, pretende facilitar a adoção de medidas e a coordenação de ações de defesa para trabalhadores e empresas.
O estado é aquele com maior predominância dos EUA como destino de exportações, acima dos 44%, vendendo produtos de siderurgia, frutas, pescados, pás eólicas e outros itens.
Seus produtos também estão entre os menos contemplados pelas exceções estabelecidas no decreto americano. Mais de 90% da pauta exportadora do Ceará para os EUA segue afetada pelo acréscimo de 50% em taxas.
Entre as ações em andamento para o apoio à economia local, o governo estadual mantém aberto até esta 6ª feira, 05.09, um edital de apoio a empresas de produção de alimentos.
O estado vai comprar, daquelas que comprovarem queda no volume de exportações para os EUA, em relação à média do segundo semestre de 2024, em produtos como mel, castanha, filé de peixe, água de coco e cajuína.
Tarifas e sanções
As tarifas de 50% anunciadas pelo governo dos EUA contra produtos brasileiros estão entre as mais altas em vigor na guerra comercial promovida pelo presidente Donald Trump contra aliados comerciais.
A sobretaxa faz parte de uma série de medidas postas em prática pelo governo americano contra o Brasil e autoridades brasileiras, como uma investigação comercial sobre o Pix e sanções financeiras contra o ministro do Supremo Tribunal Alexandre de Moraes.
O magistrado é relator do processo da trama golpista, em que o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados são acusados de conspirar para reverter o resultado das eleições de 2022 e tentar um golpe de Estado, que culminou nos atentados aos prédios dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.
Para Trump, Moraes persegue o ex-presidente e viola a liberdade de expressão ao exigir que redes sociais de empresas americanas cumpram as leis e decisões da Justiça brasileira. Nos EUA desde março, o deputado federal Eduardo Bolsonaro foi indiciado pelos crimes de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito por atuar em favor das sanções ao Brasil. Jair Bolsonaro também foi indiciado pelos mesmos crimes.