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Economia e Finanças

29 de Novembro de 2019 as 02:11:27



RESERVAS BC consumiu US$ 18,8 BI desde agosto e irá torrar mais US$ 7,5 BI em dezembro


Roberto Campos Neto, presidente do BC
 
BC experimenta vendas diretas de dólar das reservas para deter a elevação do câmbio, após alegada frustração com operações de swapcambial.
Reservas Internacionais do Brasil deverão cair para US$ 361,7 Bilhões.
 
 
Depois de leiloar US$ 34,4 bilhões das reservas internacionais nos últimos meses, o BC Banco Central venderá mais US$ 7,5 bilhões no mercado à vista em dezembro. 
 
O anúncio foi feito nesta 5ª feira, 28.11, pelo BC após o fechamento dos mercados.
 
Com impacto nulo sobre o câmbio, os leilões não estão relacionados às intervenções que o BC tem feito nesta semana para conter a alta do dólar.
 
A venda direta de dólares das reservas representa um novo modelo de intervenção cambial com reflexos na política fiscal, ao reduzir os juros da dívida pública e ajudar a segurar o endividamento do governo em momentos de dólar alto.
 
Nível das Reservas
 
O dinheiro será usado para rolar (renovar) contratos de swap cambial tradicional (venda de dólares no mercado futuro) que vencem em fevereiro. Um dos principais instrumentos do País contra choques externos na economia, as reservas internacionais estão atualmente em US$ 370,1 bilhões.
 
No fim de agosto, quando o governo adotou a nova política, as reservas estavam em US$ 388 bilhões.
 
Grandes Bancos, Grandes Empresas
 
Compradores comuns não podem adquirir dólares das reservas internacionais. Esse tipo de operação está restrito a dealers – grandes bancos e corretoras autorizados pelo BC para atender à demanda de dólares por grandes empresas e outras instituições financeiras.
 
Novo modelo
 
Até o fim de agosto, em momentos de alta da moeda norte-americana, a autoridade monetária leiloava contratos de swap cambial tradicional, que equivalem à venda de dólares no mercado futuro. Feitas em reais, essas operações não afetam as reservas internacionais, mas têm impacto na posição cambial do BC e aumentam os juros da dívida pública.
 
Agora, o BC atua de maneira diferente. Venderá dólares no mercado à vista e, ao mesmo tempo, comprará o mesmo valor em contratos de swap cambial reverso, que funcionam como compra de divisa no mercado futuro. Caso a demanda por dólares à vista fique abaixo desse valor, a autoridade monetária completará a operação com contratos de swap tradicional.
 
Swaps Cambiais
 
Ao justificar a medida, o BC explicou que os swaps cambiais tradicionais são demandados por investidores que querem se proteger da volatilidade no câmbio, mas que uma parte do mercado está demandando dólares à vista por causa da situação econômica.
 
A nova política tem consequências fiscais porque, ao vender menos swaps tradicionais e mais dólares das reservas externas, o governo paga menos juros da dívida pública federal.
 
Nesta 5ª feira, 28.11, o dólar comercial fechou o dia vendido a R$ 4,216, com queda de 1%. Depois de bater recorde nos últimos dias, em meio a tensões políticas no Brasil e em outros países da América Latina e à guerra comercial entre EUA e China, a moeda norte-americana interrompeu a alta hoje, num movimento de alívio no mercado financeiro.
 
 
NOTA DA REDAÇÃO JF
 
BC experimenta vendas diretas de dólar das reservas para deter a elevação do câmbio, após alegada frustração com operações de swapcambial. Para a camuflagem da aceleração da fuga de capitais, a verdadeira causa da subida do dólar, o diagnóstico da situação apresentado pelo BC é que a swapcambial é um mecanismo insuficiente para deter a elevação do câmbio.
 
A B3, a bolsa de valores brasileira, tem registrado saída continuada de capiítais externos. No último dia 26.11 a saída-líquida de caitais externos da B3 alcançou R$ 7,72 Milhões, equivalentes a US$ 1.83 Bilhão. Em 2019, no governo Bolsonaro, esses números totalizam R$ 38,1 Bilhões equivalentes a US$ 9,1 Bilhões.
 
A esses números devem ser somadas as transferências ao exterior que envolvem juros e amortização da divida externa, remessas de lucros e dividendos pelas empresas multinacionais. Essa rubrica das contas externas totalizou US$ 46,4 Bilhões, em outubro último. Estimamos que poderá alcançar US$ 60 Bilhões até o final de dezembro/2019.
 
Desse modo, as Reservas Internacionais do Brasil deverão cair para algo próximo a US$ 360 Bilhões, queda de 7,5% no governo Bolsonaro.
 
Na ordem livrecambista neoliberaloide, a contrapartida é com isso garantir as remessas de capitais ao exterior pelas multi, a um câmbio sob controle, e fortalecer ainda mais a rentabilidade dos bancos no mercado cambial.
 
Alem disso, corroe-se a única garantia que o País possui para fazer frente aos ataques especulativos contra a moeda, nossas reservas internacionais. 
 
Nada diferente do que seria de se esperar de uma diretoria do BC formada por ex-diretores dos grandes bancos privados.


Fonte: AGENCIA BRASIL

 
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