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Internacional

17 de Novembro de 2019 as 01:11:14



BOLIVIA - Já são 8 mortos e 100 feridos pelas forças de segurança



Sobe para oito o número de mortos pela ditadura boliviana
 
A repressão conduzida pelas forças de segurança contra cidadãos bolivianos leais ao presidente deposto da Bolívia, Evo Morales, resultou na morte de oito pessoas na noite de 6ª feira, 15.11, além de mais de 100 feridos.
 
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos condenou o uso desproporcional da força e declarou que o Estado tem obrigação de garantir o direito à vida e à integridade física daqueles que protestam pacificamente.
 
Milhares de apoiadores de Evo Morales tentavam chegar à cidade de Cochabamba para se opor ao governo interino de Jeanine Áñez, auto-proclamada presidente da Bolívia. A mobilização foi interceptada no rio Huayllani, perto de Sacaba, onde houve o confronto.
 
Evo Morales renunciou sob pressão da polícia e das Forças Armadas da Bolívia no domingo passado, depois que relatório da OEA Organização dos Estados Americanos apontou fraude eleitoral na vitória do então presidente na votação de 20 de outubro. Ele então se asilou no México. E, de lá, Evo pediu pelo twitter, "às forças armadas e à polícia boliviana que parem o massacre".
 
Segundo a AFP, o comandante da Polícia de Cochabamba, coronel Jaime Zurita, disse que os manifestantes "portavam armas, escopetas, coquetéis molotov, bazucas caseiras e artefatos explosivos".
 
"Estão usando dinamite e armamento letal como (fuzis) Mauser 765. Nem as forças armadas, nem a polícia têm esse calibre, por isso estou alarmado", 
 
acrescentou Zurita.
 
O ex-presidente chamou sua saída do poder de "golpe" e criticou as crescentes acusações de repressão dura pelas forças de segurança bolivianas.
 
"Os líderes do golpe massacram povos indígenas e humildes porque elas pedem por democracia",
 
disse Morales no Twitter na sexta-feira, após relatos de mortes.
 
A violência na Bolívia se soma a uma onda de agitação na região, incluindo no vizinho Chile, onde protestos contra as desigualdades sociais saíram de controle e deixaram pelo menos 20 mortos.
 
O ouvidor regional de Cochabamba, Nelson Cox, disse que os registros hospitalares na região de cultivo de coca mostram que a "grande maioria" das mortes e ferimentos de sexta-feira foi causada por disparos de arma de fogo. Ele chamou a reação das forças de segurança da região de "ato de repressão".
 
"Estamos trabalhando com a ouvidoria nacional para realizar autópsias para determinar a causa da morte e buscar justiça para essas vítimas",
 
afirmou Cox à Reuters em entrevista na manhã de sábado.
 
Os apoiadores de Morales continuam agindo, bloqueando as principais vias, cortando oleodutos e lançando protestos em massa nas ruas de La Paz, El Alto e nas regiões de cultivo de coca há muito tempo leais a ele.
 
Suprimentos diminuem, preços sobem
 
Embora a capital La Paz estivesse calma na manhã deste sábado, 16.11, os bloqueios nas rodovias provocaram pânico nas ruas, com muitos correndo para acumular mantimentos, já que os suprimentos estavam diminuindo e os preços subiram.
 
O ouvidor nacional da Bolívia disse na 6ª feira que o total atingira 19  mortos desde as eleições de 20 de outubro, número que se acelerou na última semana. A crescente quantidade de corpos levou Morales a adotar um tom mais conciliatório com o governo da presidente interina, Jeanine Añez, nos últimos dias.
 
"Por uma questão de democracia, se eles não querem que eu participe, não tenho problema em não participar de novas eleições",
 
disse Morales à Reuters em entrevista na Cidade do México.
 


Fonte: BRASIL 247

 
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