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Investimentos

Sexta-Feira, Dia 01 de Novembro de 2019 as 22:11:31



SUZANO - Resultado no 3º trimestre/2019: Positivo. OutPerform, YE20E R$ 48,00



SUZANO  -  Resultado trimestral no 3º trimestre/2019
 
Guidance de produção de celulose revisado; positivo.
 
Na noite passada, 31.10, a Suzano apresentou seus resultados do 3T19, os quais, em nossa opinião, vieram neutros, com receitas maiores que o esperado e EBITDA em linha, quando excluído os efeitos de ajustes. Uma vez mais, os menores preços de celulose nos mercados internacionais limitaram a evolução de EBITDA da companhia, o qual ficou em R$ 2,511 mm, assim, retraindo 19% t/t e 53% a/a, e 2% menor que nossas estimativas. 
 
Quando considerando o EBITDA ajustado, este veio em R$ 2.396 mm, queda de 23% e 56%, na comparação trimestral e anual, respectivamente. Mesmo assim, como esperado, a Suzano conseguiu compensar parte desta queda de preços com maiores volumes vendidos no período, tirando vantagem de sua posição de liderança na indústria de celulose.
 
Destacamos a revisão do guidance de produção de celulose da companhia, após compromisso com o mercado de produzir ~9,0Mt – 9,4Mt de celulose este ano, a fim de focar na redução de estoques nos portos chineses. De acordo com a empresa, a revisão se dá pelas condições de mercado de celulose, alinhada com a estratégia comercial da empresa e o melhor interesse da Suzano e de seus acionistas. Em nossa opinião, uma menor produção para o ano poderá impulsionar as dinâmicas de mercado, aliviando as pressões nos preços de celulose. 
 
Dada a redução prévia anunciada, a companhia havia revisado seu capex de 2019 (de R$ 6,4 bi para R$ 5,9 bi), e este foi mantido. A redução em produção e capex, seguida de diminuição de estoques, somadas às vendas de ativos não-core e à captura das sinergias com a Fibria (90% m 2020) fazem parte da estratégia da Suzano de diminuir a sua alavancagem, a fim de re-encaixá-la em sua política financeira de 3,0x DL/EBITDA. Este trimestre, a alavancagem da empresa ficou em 4,7x em R$ e 4,3x em US$.
 
O cenário para celulose melhorou levemente com a demanda no hemisfério norte retomando, abrindo espaço para aumentos de preços, conforme observado nos últimos meses. Embora ainda pressionado para fibra curta, reforçamos nossa visão de que a Suzano poderá superar este cenário de preço em baixa por meio de maiores volumes vendidos, em consonância com sua liderança estratégica.
 
Adicionalmente, a empresa informa, sem maiores detalhes, que as sinergias da aquisição da Fibria estão acontecendo conforme o esperado. Para o longo-prazo, a demanda deve continuar a subir, aparada por 
 
(i)   aumento do consumo de tissue, 
(ii)  avanços na demanda de produtos para embalagem com o e-commerce, e 
(iii) alta dos preços de papel no mercado internacional. 
 
Ponderando, reiteramos nosso preço-alvo para YE20E em R$ 48,00, com o rating Outperform.
 
Resultados consolidados
 
As receitas totalizaram R$ 6.600 mm, 8% acima das nossas estimativas e 1% abaixo do 2T19 (-33% a/a), em razão de menores preços de celulose nos mercados internacionais, embora parcialmente compensados por maiores volumes  de celulose vendidos e melhor câmbio no período. 
 
O CPV somou R$ 4.986 mm. Ao excluirmos os efeitos do PPA do 2T19, o CPV teria sido de R$ 4.808 mm. Lembramos que no 4T19, não haverá paradas para manutenção, assim, beneficiando os custos no período. VG&A somaram R$ 748 mm no trimestre, 2% maior t/t, com despesas de vendas maiores, compensadas por G&A menores. 
 
Assim, o EBITDA ajustado ficou em R$ 2.396 mm, 6,5% menor que o BB-BIe (-23% t/t e -56% a/a). Ao excluir os efeitos de ajustes, o EBITDA ficou em R$ 2.511 mm, 2% maior A/E.
 
Desempenho de celulose: guidance de produção revisado. 
 
A produção somou 2.095 kton no 3T19, 24% menor a/a e 6% abaixo do 2T19. As vendas somaram 2.549 kton, em linha com nossas estimativas, 15% maior t/t, embora 12% menor a/a. O preço médio caiu para US$ 527/t, contra os US$ 627/t do 2T19. 
 
As receitas somaram R$ 5.340 mm, -2% t/t e -37% a/a, resultante de menores preços da commodity, parcialmente compensado por maiores vendas. O custo caixa ficou em R$ 717/t, 2% abaixo do 2T19. Ex-parada, o custo caixa baixou para R$ 654/t, -6% t/t, embora avançando 10% a/a. 
 
Na comparação trimestral, houve o efeito de menores custos fixos, em razão de menores custos de manutenção e melhor mix (maior participação de Três Lagoas). O EBITDA somou R$ 2.012 mm, queda de 26% t/t e retração de 60% a/a.
 
Desempenho de papel: positivo t/t. 
 
Durante o trimestre, as vendas somaram 313 kton, 4% maior que o 2T19 e 7% menor a/a (4% abaixo do BB-BI). No mercado doméstico, a Suzano vendeu 211 kton, avançando 13% t/t. Na comparação anual, contudo, houve queda de 6% em razão de menor produção com a conversão de uma máquina de IE em eucafluff.
 
O preço médio ficou em R$ 4.024/t, estável t/t e 3% maior a/a. As receitas, então, somaram R$ 1.260 mm, melhor 4% t/t, embora caindo 4% a/a. Consequentemente, o EBITDA ajustado somou R$ 385 mm (+5% t/t e -6% a/a).
 
Endividamento e Resultado Financeiro.
 
A dívida bruta ficou em R$ 64.021 mm, contra R$ 60.480 mm no 2T19, com dívida líquida em R$ 55.231 mm, (+5,2% t/t). A alavancagem, medida pela dívida líquida/EBITDA, subiu para 4,7x em R$ (ante 3,5x no 2T19) e 4,3x em US$ (+0,7x t/t).
 
Com isso, a alavancagem da empresa superou o limite de sua política financeira e, consequentemente, a Suzano anunciou um plano de redução de alavancagem que consiste em quatro principais pontos: 
 
(a)  limitação de capex, 
(a) redução de estoques em ~US$ 500 mm, 
(a) 90% de captura de sinergias do acordo com a Fibria em 2020 e, 
(d) venda de ativos não-core.
 
O custo médio da dívida em dólar ficou em 4,8% e a maturidade em 85 meses. As despesas financeiras somaram negativos R$ 1.045 mm, enquanto as receitas ficaram em R$ 94 mm. A variação cambial totalizou negativos R$ 3.685 mm. Houve também o efeito dos derivativos, negativos em R$ 1.857 mm.
 
Por fim, o resultado financeiro ficou negativo em R$ 6.493 mm, levando a um prejuízo líquido de R$ 3.460 mm, ante lucro líquido de R$ 700 mm no trimestre anterior.
 
Confira no anexo a íntegra do relatório que analisa o desempenho da Suzano no 3º trimestre/2019, elaborado por Gabriela E Cortez Analista Sênior do BB Investimentos

Clique aqui para acessar o aquivo PDF

Fonte: GABRIELA E. CORTEZ, Analista Sênior, do BB Investimentos





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