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Editorial

30 de Abril de 2019 as 06:04:25



EDITORIAL - A Entrevista de Lula ... e "Pelé" entra em campo


LULA durante a entrevista.
 
Lula não se calou na entrevista: foi Jovial, simpatico, bem humorado, elegante, corajoso, digno e resiliente.
O "Delenda Cartago" poderá ser contido ?
 
Somente após um ano encarcerado pela PF em Curitiba foi permitido a LULA conceder uma entrevista a jornalistas da Folha de São Paulo e de El Pais. Apresentou-se simpático na entrevista de 16.04, realizada nas dependências da Polícia Federal, em Curitiva, onde se encontra cumprindo pena de prisão. Bem humorado, com grande energia e combatividade, chamou o povo a mobilizar-se contra as perdas de direitos em curso com grande ênfase no combate à reforma da Previdência.
 
Clamou pelo reconhecimento de sua inocência pela justiça e manifestou desinteresse pela progressão da pena, enaltecendo sua honra e dignidade, ainda que em detrimento da liberdade.
 
Um ano de arbítrio, ilegalidade e escaramuças do poder judiciário para manter preso e inelegível o personagem político mais importante do País nos últimos 40 anos, sem o que a direita não ganharia as eleições de 2018. LULA é isso: nacional e internacionalmente reconhecido como pacificador.
 
Por isso, odiado pela direita por não mais ter conseguido chegar ao poder da República por via democrática; e também por segmentos da esquerda, que pretendiam que sua vitória se transformasse em revolução socialista, o que jamais poderia acontecer, como recentemente reconheceu o célebre economista de esquerda Chico de Oliveira.
 
No âmbito doméstico, LULA foi preso em processo absolutamente forjado:
 
(1) sem provas, confessadamente pelo Ministério Público, pelo coordenador da Operação Lava Jato;
(2) em fôro irregular, confessadamente pelo juiz Moro que não reconheceu existirem conexões entre o Triplex e o desvio de recursos da Petrobras, pois à 13ª Vara de Curitiba seria o fôro de crimes que envolviam corrupção junto à Petrobras;
(3) com base unicamente em depoimento (e não delação premiada) de Leo Pinheiro, prestado na condição de testemunha, sem juramento e sem compromisso de dizer a verdade; e, o agravante, o depoimento foi rejeitado por Teory Zavaski, relator da Lava Jato no STF, a despeito do que foi utilizado por Moro no processo acusatório contra Lula e na "premiação" de Leo Pinheiro com redução de sua pena de 45 anos e 5 meses em prisão para 2 anos e 6 meses; 
(4) sob total ausência de provas, mas apenas com alegado conjunto de indícios forjados; e, finalmente, 
(5) sob ausência de materialidade do delito, isto é, sem indicação do benefício a outrem propiciado pelo delito alegado
 
O depoimento do presidente da OAS, Leo Pinheiro, teve rejeitada, pela PGR de Rodrigo Janot, a pretensa condição de Delação Premiada, em razão de não terem sido apresentadas provas documentais do conteúdo declarado. Mas, Sergio Moro, ilegalmente, acolheu por inteiro o depoimento falso de Leo Pinheiro, cujo teor foi antecipadamente negociado pelo MPF, sob constrangimento moral ilegal após seis meses de prisão.
 
No País, a prisão de LULA destinou-se a retirá-lo das eleições presidenciais de 2018 para enfim poder ser eleito candidato filo-americano e pró-mercado, no intento de viabilizar implantação da Reforma da Previdência, à moda liberal. Essa reforma tem sido exigida pelo mercado desde o governo Collor e tem sido peremptoriamente negada pelos governos petistas, os quais sempre argumentaram que a expansão do PIB e a formalização do trabalho ampliariam, como de fato ampliaram, os recursos da previdência e afugentariam os riscos de falência do sistema previdenciário público.
 
Aqui, um parentesis: a Previdência Social tem sido superavitária até os dias de hoje. A Securidade Social, por outro lado, em sua totalidade -- que inclui o programa Bolsa Família, a Assistência Social, o SUS Sistema Único de Saúde e a Previdência Social -- tem gastos que somam R$ 700 Bilhões anuais na Conta Geral da Securidade Social, tem sido lesada pelo governo, que a priva de 30% receitas, o que alcança a cifra de R$ 210 Bilhões anuais, desviados para o pagamento dos juros da Dívida Pública, por meio da DRU Desvinculação das Receitas da União, que retira da Assistência Social 30% de suas receitas.
 
No âmbito internacional, a prisão de LULA serviu à entrega do Pré Sal, da Petrobras, da Embraer e da Base de Alcântara e a capitulação dos militares brasileiros frente aos americanos. Ainda no âmbito internacional, a prisão de LULA importa também no enfraquecimento dos BRICS e no desenvolvimento de animosidades entre China e Índia, também em favor de interesses dos EUA, algo que Lula conseguiria harmonizar, como o fez enquanto foi presidente da República. 
 
A prisão de LULA serve aos interesses dos EUA e foi desenvolvida estrategicamente pelo Departamento de Estado Norte Americano em estratégia que também envolveu o Departamento de Justiça dos EUA. Como um pais da dimensão do Brasil não poderia ser vítima de algo como o movimento de "primaveras árabes" articuladas pela CIA nos países do norte da África e na Turquia, a abordagem norte americana no Brasil foi por meio de uma Guerra Híbrida, na qual o Departamento de Justiça norte americano envolveu membros do poder judiciário brasileiro, o MPF Ministério Público Federal, a Procuradoria Geral da República. 
 
De início, confiava-se que o mecanismo de captura dessas autoridades brasileiras teria sido sua participação em seminários e simpósios internacionais como palestrantes e celebridades, com mesuras, rapapés, títulos e medalhas. O depoimento do advogado Tacla Duran, revelou a existência de um "esquema" milionário envolvendo o juiz Moro, bancas de advocacia e os procuradores da LavaJato, sobre o que a grande imprensa e o Poder Judiciário formaram uma neblina destinada a blindar as autoridades envolvidas e o escândalo.
 
Essas suspeitas ganharam configuração de evidência nas últimas três semanas, quando veio a público a movimentação de recursos bilionários, originários de multas impostas à Petrobras pelo Depto de Justiça dos EUA, além de acordo com a construtora Odebrecht, recursos que rumaram à conta bancária sob controle da Justiça Federal do Paraná e possivelmente de procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato, sob a alegação de destinarem à criação de uma fundação que visaria o combate à corrupção e outros fins culturais congêneres. 
 
A PGR Procuradoria Geral da República, na pessoa de sua chefe, a Dra. Raquel Dodge, recomendou ao STF impedir a criação dessa "fundação" e além disso determinou a investigação do caso pelo Conselho Nacional do Ministério Público, igualmente chefiado por ela até setembro próximo.
 
Confirmado o caráter financeiro da motivação da Lava Jato, cai definitivamente o véu de idealismo juvenil de sua cruzada e surge a corrupção como leitmotiv verdadeiro. 
 
Seja qual for o nível de corrupção do Poder Judiciário, o corporativismo da categoria tem invariavelmente protegido seus integrantes. E, considerada a confluência de interesses econômicos e políticos na prisão de LULA, é muito pouco provável que tais descobertas alterem sua condição de condenado.
 
Prossegue a autodestruição do governo Bolsonaro por meio de crises sucessivas observadas nos 100 dias iniciais de governo. O amadorismo, a ausência de projeto, a improvisação, a incompetência e a vergonhosa subalternalidade aos EUA explicam a acelerada queda do índice de aprovação do governo em 15 milhões de bolsonaristas em tão curto tempo.
 
Nenhum desses fatores torna próxima a libertação de LULA, que somente ocorrerá a partir de gigantes manifestações populares nas ruas, com perfl de incontroláveis comoções sociais, como as que ocorreram nas grandes capitais brasileiras em prol da queda da ditadura nos anos 80, com milhões de pessoas nas ruas.
 
Contudo, a galhardia de Lula em sua entrevista é um elemento novo, uma luz no horizonte; e a direita poderá pagar elevado preço por seu encarceramento. Sua prisão foi política e é também político o embate empreendido a partir da cadeia por Lula.
 
A permissão de dar voz a Lula em entrevistas à imprensa foi uma vitória política de Lula e, considerada a estupefação de todos com a combatividade de Lula, seu clamor pela resistência à política econômica suicida de Bolsonaro, a adesão à tese de sua inocência poderá ganhar milhões de adeptos e enfraquecer os indicadores de ressonância da retórica direitista.
 
Sua entrevista foi publicada pelo jornal El Pais na Espanha no último sábado. Foi a matéria jornalística mais lida da Espanha e há quem acredite que possa ter influenciado os espanhóis na vitória do PSOE Partido Socialista Espanhol, de olho no que ocorreu no Brasil e temerosos do desastre que representaria a vitória da extrema direita. 
 
É de se pensar que Steve Banon venha a desconsiderar o Papa Francisco como o grande inimigo da direita em seu movimento ascendente mundial; e eleja Lula como seu alvo.  
 
Na entrevista, Lula lançou um chamado de diálogo aos militares, que se transformaram no braço armado da direita e do adesismo aos interesses norte-americanos. Como responderão ? Como responderá o empresariado, que flerta como vice Mourão, massacrado pela política financista proposta por Guedes ? ... que só se ocupou do projeto de reforma de Previdência em favor do sistema bancário ? Como responderá a população a partir deste 1º de maio ?
 
Nos últimos 12 meses o grande jogador esteve mantido ausente, mas um "Pelé" volta a cena política. O massacre da população poderá ser revertido ? Poderá ser contido o "Delenda Cartago" imposto pelo Departamento de Estado Norte-Americano e seus títeres tupiniquins, a Direita fascistoide ignorante e sem visão estratégica, incompetente e sem qualquer projeto de País ?


Fonte: da Redação JF

 
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